Há notícia de pelo menos uma família de quatro pessoas de origem portuguesa dada como desaparecida em La Guaria e outra pessoa em Caracas, em consequência do duplo terramoto ontem ao final da tarde na Venezuela , noite em Lisboa. A esta hora, meio da manhã no país, há muitas buscas em curso e resgates a fazer debaixo de escombros, vários prédios ruíram em Caracas e outras cidades. O Serviço Geológico dos Estados Unidos estima que poderão ser milhares as vítimas. O presidente do governo regional da Madeira prevê a possibilidade de pessoas de origem portuguesa estarem entre as vítimas, até porque um hotel propriedade de madeirenses veio abaixo.
Os dois sismos de ontem às 6 da tarde, hora local, foram muito fortes e registados com menos de um minuto de diferença. Caracas e região de La Guaira foram as mais atingidas. O SE das Comunidades Portuguesas afirma que até agora não tem notícia de vitimas de origem portuguesa, mas ainda é muito cedo para avaliar. Emídio Sousa adianta que estão a funcionar linhas telefónicas de emergência consular, que devem ser apenas utilizadas em situações mesmo urgentes. Os contactos para comunicar situações urgentes são através dos números disponibilizados pelos consulados de Portugal em Caracas e em Valência.
Entretanto o governo português está a preparar uma equipa que vai seguir para a Venezuela, também o governo regional da Madeira se mostrou disponível. Há menos de uma hora o ministério da Defesa anunciou que as Forças Armadas estão disponíveis para assegurar meios aéreos para transporte de pessoas e equipamentos, ações de repatriamento e apoio médico e logístico às populações afetadas.
A partir de Valência, a 200 kms de Caracas, há pouco, perto das 10 da manhã hora local, Fatima Pontes, professora universitária e conselheira das comunidades portuguesas actualiza as informações disponíveis na sua região.
Voltando atrás até ao momento em que se verificaram os grandes abalos, Rainer Sousa, Coordenador do Ensino de Português na Venezuela, residente em Caracas, conta que foram momentos horríveis. O empresário Carlos Nunes, importador de vinhos portugueses relata como viveu o momento do duplo sismo. Um trauma para a população na Venezuela mais atingida pelo duplo terramoto, acima dos 7 graus na escala de Ritcher. Em Valência, Adriana Martins, lusodescendente, relata como muitas pessoas preferiram passar a noite na rua, nos carros com medo das réplicas. Em Caracas e como 50 anos de Venezuela, Alvarinho Moreira, presidente da casa do FC do Porto na capital venezuelana, conta que nunca viu, sentiu, nada assim.
Estima-se que vivem na Venezuela 1 milhão e 200 mil portugueses e lusodescendentes. Têm acima de tudo origem na Madeira, mas também na região de Aveiro e do norte do país, segundo dados oficiais.